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Um navio lotado de vinho afundou perto da Sicília há 2.000 anos e ressurgiu intacto, prometendo revelar rotas comerciais esquecidas do Mediterrâneo.

2.000 anos no fundo do mar: um navio lotado de vinho

Um navio lotado de vinho afundou perto da Sicília há 2.000 anos e ressurgiu intacto, prometendo revelar rotas comerciais esquecidas do Mediterrâneo.


Um navio lotado de vinho ficou 2.000 anos no fundo do mar, e agora prova que nem todo tesouro submerso é feito de ouro. No começo de agosto de 2026, dois mergulhadores italianos encontraram os destroços no Estreito da Sicília, a cerca de cinco quilômetros da costa de Mazara del Vallo. A embarcação tem 21 metros de comprimento e repousa a 46 metros de profundidade.

Segundo o Ministério da Cultura da Itália, o sítio guarda centenas de ânforas, aqueles vasos de fundo pontudo usados para transportar líquidos na Antiguidade. A maioria é do tipo Dressel 1A, jarros de cerâmica com duas alças que comportavam cerca de 20 litros cada. Estima-se que a embarcação seja dos séculos 2 e 1 a.C., quando Roma ainda era uma república em expansão.

O verdadeiro tesouro estava dentro das ânforas

Aqui mora a graça da história. Saqueadores dificilmente achariam metal precioso ali, porque o valor real viajava dentro das jarras: o vinho. Ele saía, em geral, de propriedades de senadores e grandes latifundiários romanos, uma espécie de exportação premium da época. Como algumas ânforas foram bem seladas, arqueólogos esperam encontrar resíduo de vinho ainda preservado. E há um bônus: inscrições feitas na cerâmica podem revelar de onde cada lote saiu.

Ou seja, esse navio lotado de vinho não é só barro no fundo do mar. É um catálogo comercial congelado no tempo, capaz de mostrar quem produzia, quem comprava e por quais mãos a bebida passava.

O navio lotado de vinho que estava no lugar errado

O detalhe que mais anima os especialistas é a localização. Essa faixa sudoeste da Sicília ficava fora da rota principal, que ligava as grandes propriedades vinícolas da atual Toscana à região de Nápoles. Naquele período, boa parte do vinho italiano seguia para os chefes celtas da Gália, ainda antes de Júlio César conquistar a região, por volta de 50 a.C.

Então por que a embarcação estava tão longe do trajeto esperado? O arqueólogo marítimo David Gibbins levanta duas hipóteses: o carregamento talvez fosse para o norte da África ou para a atual Espanha. A resposta pode redesenhar parte do mapa comercial do Mediterrâneo antigo. Afinal, o vinho já era um negócio globalizado muito antes de virar hobby de fim de semana.

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Este conteúdo é uma interpretação do material original. Para mais detalhes, consulte a fonte: The Art Newspaper

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