
Guia Michelin nega nota máxima a três lendas do mundo do vinho
Três lendas de Bordeaux ficaram sem nota máxima e uma nem entrou na lista. Entenda como o Guia Michelin avalia vinícolas e por que virou polêmica.
O Guia Michelin, famoso há mais de um século pelas estrelas que distribui a restaurantes, agora também avalia vinícolas. A estreia nesse território aconteceu em julho, na Borgonha, e a segunda etapa saiu em 7 de setembro, com a primeira lista dedicada a Bordeaux. Normalmente, críticos e revistas dão notas a vinhos: um rótulo, de uma safra específica, recebe 95 pontos. O guia faz outra coisa e avalia a propriedade como um todo, do vinhedo à adega. A ideia não é inédita. A própria classificação de 1855, lista oficial dos grandes tintos bordaleses, já ranqueia propriedades. Na França, um guia especializado também dá estrelas a produtores. Faltava, porém, uma marca tão conhecida fora do mundo do vinho. E a lista de Bordeaux começou pela ferida mais sensível da região. Das cinco propriedades que formam a elite de 1855, só Lafite Rothschild recebeu a nota máxima. Margaux, Mouton Rothschild e Haut-Brion ficaram um degrau abaixo. Já Latour simplesmente não aparece, porque, segundo o guia, sua avaliação não terminou a tempo.
Como o Guia Michelin dá notas às vinícolas
A lógica é a mesma das estrelas dos restaurantes, com uma troca de símbolo. Em vez de estrelas, o guia distribui de uma a três uvas. Uma indica um produtor muito bom, duas um excelente e três um excepcional. Para chegar à nota, os inspetores observam cinco pontos: cuidado com o vinhedo, técnica na adega, identidade, equilíbrio e consistência ao longo dos anos. Em Bordeaux, entre mais de 7 mil châteaux, pouco mais de 80 entraram na seleção, e só nove ganharam três uvas.
Quando o guia contraria 1855
O resultado incomoda justamente porque não repete a tradição. Duas propriedades que a classificação de 1855 colocou no segundo escalão chegaram ao topo. O guia, por sua vez, avisa que a seleção será revista todo ano, o que deixa a porta aberta para novas surpresas. Há ainda um detalhe irônico. Uma das premiadas com três uvas abandonou a denominação de origem, o selo que garante procedência e regras de produção, e hoje vende seu vinho como Vin de France, a categoria mais básica do país.
O problema do inspetor com hora marcada
Nos restaurantes, o inspetor chega anônimo e paga a conta. Nas vinícolas, isso não funciona, porque avaliar vinhedos, adegas e safras antigas exige visita agendada. É aí que mora a principal crítica ao Guia Michelin, já que o anonimato sempre sustentou a credibilidade da marca. O crítico americano Jeff Leve foi além e lembrou que o vinho muda a cada safra, portanto uma nota para a propriedade diz pouco sobre a garrafa. Muitos premiados preferiram o silêncio, citando a relação delicada com o guia. Também ficaram de fora as denominações mais simples da região, como Bordeaux Supérieur e Entre-Deux-Mers, onde estão os bordeaux de preço acessível.
No fim, o Guia Michelin funciona como mapa de reputação, não como roteiro de compra. Para quem escolhe vinho no mercado, a informação que importa continua no rótulo.
Na próxima garrafa de Bordeaux, comece pela safra, não pela fama.
🛒 Compre vinhos de Bordeaux na TodoVino!
Leia também: Como escolher vinho para cozinhar sem desperdiçar dinheiro
Este conteúdo é uma interpretação do material original. Para mais detalhes, consulte a fonte: Robb Report
Deixe um comentário
Estamos felizes por você ter escolhido deixar um comentário.