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O espumante inglês cresceu 510% em área plantada desde 2005 e já atrai casas de Champagne. Entenda o que está por trás desse momento.

Chegou a hora do espumante inglês, e os números provam

O espumante inglês cresceu 510% em área plantada desde 2005 e já atrai casas de Champagne. Entenda o que está por trás desse momento.


O espumante inglês vive seu melhor momento, e não por acaso. A Inglaterra passou duas décadas plantando em silêncio nas colinas de Kent, Sussex e Hampshire, e o resultado chegou. O último relatório da WineGB registra mais de 1.100 vinhedos, 238 vinícolas e 4.841 hectares plantados, um crescimento de 510% desde 2005. As vendas de espumante subiram 187% desde 2018, de 2,2 milhões para mais de 6 milhões de garrafas.

Há um número mais eloquente que todos esses. Em 2024, as vendas domésticas de espumante inglês cresceram 3% dentro do próprio Reino Unido, num ano em que o mercado britânico como um todo recuou. Sustentar crescimento no mercado mais competitivo do mundo em bebidas é um teste bem mais duro que ganhar medalha.

Medalhas, aliás, também vieram. Na edição de 2024 do International Wine & Spirit Competition, os ingleses levaram mais de cem premiações, com seis ouros, e os jurados destacaram justamente os rosés e os Blanc de Blancs.

Giz, frio e um clima que mudou

A base geológica sempre esteve lá. O sudeste inglês repousa sobre as mesmas veias profundas de giz que atravessam o Canal da Mancha e chegam à Champagne, com ventos costeiros de brinde. O que faltava era maturação.

Durante décadas, a região foi fria e úmida demais para que as uvas amadurecessem de forma confiável. Isso mudou. Pinot Noir, Pinot Meunier e Pinot Blanc hoje atingem pontos de maturação inéditos por lá, e o efeito nas datas de colheita é brutal. Um produtor de Wiltshire com dezesseis anos de experiência local relata que a vindima acontecia em meados de outubro ou início de novembro. No ano passado começou em 12 de setembro. Neste ano, em 5.

Convém registrar o que isso significa de verdade. O que ajudou o espumante inglês é a mesma força que preocupa qualquer produtor no planeta. Ninguém no setor comemora aquecimento global, e os próprios ingleses são os primeiros a dizer que o momento é tão empolgante quanto assustador.

Por que as casas de Champagne estão comprando terra na Inglaterra

Aqui está o sinal mais claro de todos. A Taittinger, casa fundada em Reims em 1932 e uma das poucas grandes maisons de Champagne que segue sob controle familiar, se associou a um parceiro britânico e fundou o Domaine Evremond, no vilarejo de Chilham, em Kent. E a marca francesa não está sozinha nessa aposta. Outra grande casa de Champagne comprou uma propriedade em Alresford, Hampshire, enquanto um grupo familiar californiano de peso, dono de alguns dos rótulos mais vendidos dos Estados Unidos, foi buscar terra no Crouch Valley, em Essex, para fazer vinhos de clima frio.

Quando produtores desse calibre plantam fora de casa, não se trata de diversificação decorativa. É leitura de longo prazo.

A matemática ajuda a entender a pressa. Terra apta a espumante na Inglaterra custa entre 15 mil e 25 mil libras por hectare. Em Champagne, o hectare vai de um a mais de dois milhões de euros. A diferença é de duas ordens de magnitude, e explica boa parte da liberdade criativa que se vê por lá.

Liberdade, no caso, é literal. Champagne opera sob regras rigorosas de castas, rendimentos e estilos, construídas ao longo de séculos para proteger uma identidade que funciona muito bem. A Inglaterra não tem nada equivalente, apenas esquemas opcionais. Sem restrição de variedade e sem estilo obrigatório por sub-região, o produtor inglês pode testar quase qualquer coisa.

O perfil resultante interessa a um paladar específico. São espumantes de acidez alta e fruta delicada, no registro dos champagnes mais clássicos e cortantes. Boa parte deles fica abaixo de cem dólares a garrafa. Para quem prefere tensão a opulência, o espumante inglês merece uma taça.

🛒 Explore os maravilhosos champagnes da Taittinger e o impressionante espumante da Domaine Evremond!

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Este conteúdo é uma interpretação do material original. Para mais detalhes, consulte a fonte: The Strong Buzz

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